Desataram Nós

Pensava em você, em nós e naquela história praticamente vinte e quatro horas por dia, e por horas chorava e sentia uma dor insuportável no peito. Essa era a lembrança mais forte de você em mim, dor. Então, eu passei a evitar a qualquer custo tocar na ferida que você abriu para que ela não voltasse a doer. Eu conseguia, até que algo ou alguém me fazia lembrar você e eu percebia que não tinha te esquecido. Eu podia ter deixado de lembrar com a mesma frequência de antes, mas não esqueci e pra ser sincera, não sabia se seria capaz de esquecer algum dia. Porque diabos eu ainda gostava de você mesmo depois de tanto tempo, depois de tanta coisa? Fiquei procurando centenas de explicações pra um sentimento não morrer. Você tava bem longe de ser o melhor homem que passou pela minha vida, pelo contrário, você só foi mais um deles, mas alguma coisa insistia em te deixar mais especial do que os outros e eu juro por todos os santos que eu não fazia a menor ideia do que era. Eu procurava prós e só achava contras. Tentei lembrar das nossas coisas boas, foram muitas porém estavam distantes e quase apagadas pelo inferno que veio depois. Foram boas, muito boas realmente. Mas cara, isso não era nada comparado ao que sofri por você enquanto ainda estávamos juntos. E meu bem, quando um sentimento que devia ser bom te machuca, é qualquer coisa, menos amor. Não é amor se existir dor no meio. 

Sonhei com você por algumas noites, e como se não bastasse, me fizeram lembrar de você. Só que dessa vez afirmaram com toda a certeza do universo que eu ainda gostava de você e fiquei calada, sem resposta. Que karma maldito! Porque você insistia em entrar de qualquer forma nos meus pensamentos? Respirei e voltei a pensar sobre nós, porque eu sou a única pessoa que pode falar com clareza dos meus sentimentos. As pessoas julgam pelo que sabem e veem, mas elas enxergam com os próprios olhos e olhos alheios não são muito confiáveis, geralmente as pessoas não sabem nem um terço da missa. Pensei. Pensei de novo e me dei conta de que nós não existíamos mais, o que existia era eu e nossas lembranças. Lembranças que fizeram muito mal, e por isso eu as mantinha trancadas com sete chaves. O que, em nenhum momento significava que o meu primeiro sentimento por você ainda estava vivo e esperando contato pra florescer novamente. Eu não queria nada nosso de volta, eu só queria que a sensação ruim acabasse. E acabou. Aquela tempestade passou. Passou, cara. Você passou. E você não faz ideia do sorrisão que eu dei quando vi uma foto nossa e não senti absolutamente nada. Ufa. Agora eu tenho certeza de que posso seguir sem ter um fantasma seu na minha sombra. Nossa página tá virada, e se alguém me perguntar o que tá escrito nela, eu vou responder normalmente, como se nós fôssemos um filme que eu vi há uns meses atrás. Demorei a entender um bocado de coisas. Perdi horas tentando criar conexões na minha mente, razões para as coisas e quanto mais razões, menos sentido as coisas faziam. Eu me torturei durante um longo tempo, como você dizia. E não adiantou, não deu em nada. Acontece que o nó que deram em nós dois era tão forte, que tudo que o tentava desfazer era fraco, mas cada vez que tentavam, mais apertado o nó ficava e mais sufocado nós estávamos. E assim o tempo passou e devagarinho foi desatando todos os nossos nós. 






 

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