Bloqueio Criativo

Com papel e caneta na mão, pisco, confusa. Não consigo escrever, minhas mãos parecem se recusar. Fico assustada e insegura, culpo minhas mãos assustadas e meu cérebro sem inspiração. Minha inspiração me cutuca como se eu fosse louca, e minha insegurança se transforma em raiva. Esta não é uma guerra que eu queira travar contra mim. Amaldiçoo o papel, os deuses da literatura e amaldiçoo minha caneta. Peço ao Universo que deixe chover tinta nas terras e que encha minha cabeça com pensamentos, ideias e palavras. Só assim deixarei esse pesadelo quieto na cama.


Minha mão costumava fluir tão livremente, agora elas tremem. Eu não consigo entender. Deve ser o tal do bloqueio criativo me condenando mais uma vez. Repito algumas vezes: ''Isso vai passar. Deve ser um período de seca, não vai durar.'' E espero estar certa. Minhas mãos tremem tanto que manter a caneta em posição vertical se torna uma desafio. Uma visão comovente seguida por uma resolução enérgica.

Vou superar esse obstáculo, sei que vou. Ver preocupação em meus olhos é mais que suficiente. A viagem será longa e a estrada será difícil, mas vou escrever de novo. Forço minhas mãos a ficarem imóveis. Pego a caneta e por fim, digo: ''Tudo bem, escritora. Apenas comece de novo.''



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