Sobre Pets

Tive um cachorro por 15 anos e um dia ele me deixou. Foi a primeira vez que tive que lidar com uma perda próxima e foi bem difícil. O Frank só dormia no quarto comigo, lembro que uma vez meu padrinho o levou para o quarto dele porque eu não estava em casa mas assim que cheguei, ele ficou cheirando a porta do quarto do dindo e veio em direção ao meu quarto. Quando as dores começaram a incomodá-lo, bastava eu estender a mão para ele parar de chorar. Nossa conexão era linda e perder aquilo doeu muito, passei mais de uma semana sem dormir no meu quarto porque não suportava olhar pro canto e não ver o Frank deitado lá. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀

Continuei admirando e fazendo carinho em todo cachorro que via e por mais que amasse a ideia de ter um bichinho de estimação, não queria criar laços que pudessem ser quebrados novamente, até que a Arya apareceu. O começo da convivência não foi muito fácil, a Arya é bem levada como todo bebê cachorro de 3 meses e eu não estava acostumada com isso. Tinha acabado de mudar para a casa nova e a sensação das tardes sozinhas em silêncio eram maravilhosas. Minha casa vivia limpa, cheirosa e com tudo no lugar, não que seja diferente agora mas a limpeza acontece com mais frequência, bem mais. ⠀⠀⠀


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Com ela vieram mais responsabilidades, cuidar de um filhote requer paciência, amor, voz ativa para ensinar bons modos e mais paciência. É um aprendizado diário e por duas ou três vezes me peguei chorando por achar que não conseguiria ser uma boa mãe de pet, e que ela provavelmente seria mais feliz em outro lar mas quando tô sentada trabalhando e viro para o lado, vejo ela me olhando como se estivesse admirando uma obra prima de um pintor famoso. A Arya me olha com admiração, amor, como se eu fosse perfeita e sentir isso deixa meu coração quentinho. Uma vez enquanto a segurava no carro voltando da casa do meu sogro notei até um suspiro entre esses olhares, foi quando percebi que estávamos realmente conectadas e se posso dizer assim, apaixonadas. ⠀⠀⠀

Ela me segue por todo canto da casa; se estou no escritório, ela fica no cantinho perto da mesa; se vou para a cozinha, ela fica perto do fogão e aí eu peço que ela se afaste porque é perigoso e tudo bem, ela acha um lugar perto do armário; quando vou tomar banho, ela fica deitada no tapete do banheiro me esperando; quando vou para o quarto, ela pergunta gentilmente se pode entrar e fica no cantinho preferido (embaixo da cama); quando eu saio de casa, ela fica cabisbaixa, olhando da porta enquanto desço as escadas mas quando volto, é uma explosão de felicidade, parece que encontrou o tesouro perdido; ela pula, morde, lambe, pula de novo e pede comida, claro.

Ela é minha felicidade, minha força, minha contagem até 10 pra não pirar, meus gritos, meu desespero quando soluça e meu carinhoo voluntário. É o amor que eu nem sabia que tinha, a melhor coisa que eu nunca soube que precisava, é impressionante a forma com que um bichinho ensina, inspira e nos faz perceber o que realmente importa no meio dessa imensa bagunça.

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